Sala de Espera

  • Atomic Garden
    Idade: 19
    Lugar: Chapecó, SC.
    Condição: Frescura.
  • Lipedal
    Idade: 19
    Lugar: Santo Ângelo, RS, no meio da roça missioneira.
    Condição: Demofobia e Nerdice Aguda. Foi ao Mundo Real duas vezes, durante as quais ganhou uns graus de miopia devido à exposição ao sol.
  • Vexille
    Idade: 20
    Lugar: Recife, PE. É o único do consultório que mora numa cidade de verdade.
    Condição: Psicose e Esquizofrenia. Obsessão compulsiva por filmes clássicos de terror brutal e trash em geral.

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Grande, Chata e Sem Graça Aventura do Atomic no Mundo Real - Parte 1

Por yusanã || 20:11:00 || 21 de jun de 2006
Prelúdio:

Durante 11 e 20 e de Junho, eu e mais dois amigos fomos convidados por um maluco de Guaíra (SP) para irmos até o estado de São Paulo e jogarmos os Jogos Abertos da Juventude na modalidade Xadrez, assim como fazer outras coisas que não somos acostumados a fazer no meio da roça Chapecoense, como ir a um Shopping, por exemplo. Nosso primeiro destino foi a cidade de São José do Rio Preto e sabendo que eu teria de aguentar mais de 20 horas de estrada armei-me com o MP3 player e muitas horas de música, portanto, outras coisas engraçadas podem ter acontecido sem eu ter visto, ou melhor, ouvido.

Capítulo 1 - A 1ª Maratona e os Motoristas Malucos:

Chegamos até a ENORME rodoviária de Chapecó perto da meia-noite. A cena era bucólica: nenhum ônibus, nenhuma loja aberta e nem uma pessoa sequer, exceto por um velho parado, em pé, no centro do lugar. Assim que nos aproximamos ele nos encarou e perguntou:

- Hmmm, deixe-me adivinhar... Vocês três estão indo para São José do Rio Preto?
- AHMAGOD! Como você sabia? És vidente? Lê minha mão? Vai morrer alguém famoso essa semana?
- O BUSSUNDA! Não porra, eu sou o motorista do ônibus e vocês estão atrasados. Anda logo, merda.
- OK. Sabe mais ou menos que horas a gente chega lá?
- Ih, antes do meio-dia vocês estão lá. Tranquilo.

Nesse momento eu e meus amigos nos olhamos com medo. Afinal de contas, uma viagem Chapecó - S. J. Rio Preto sempre demorou muito mais do que as 12 horas que o maluco do suposto motorista nos disse. Chegamos a suspeitar que ele fazia parte de uma quadrilha internacional de tráfico de órgãos, e estaria nos levando para 'Quiprocó do Chubiruba', cidade esta em que realmente chegaríamos antes do meio-dia. As suspeitas desapareceram quando ele nos levou até o ônibus da Planalto, ele não era traficante, só um pouco estúpido.

Acomodei-me na poltrona 19, puxei o mp3 player e comecei a ouvir alguma música qualquer, meus amigos sentaram nas poltronas 20 e 21 e também puxaram um mp3 player, mas o que eles ouviram não era bem música, ou Guilherme & Santiago pode ser chamado assim?

Passamos a noite apreensivos, esperando que o motorista imbecil fizesse alguma cagada, mas assim que a manhã chegou, e junto com ela o café da manhã e a troca de motoristas, ficamos aliviados. O novo motorista parecia normal, chegou, desejou uma boa viagem a todos, trancou-se na cabine e botou um DVD para o pessoal assistir. O problema é que o animal não sabia que estamos no hemisfério sul, mais precisamente no Brasil, um país pobre, fudido e que tem como língua oficial o Português e colocou o filme com áudio original e sem legendas. A indignação dos passageiros foi quase unânime, já que eu estava muito mais preocupado em ouvir Nargaroth do que assistir Wild Wild West pela terceira vez. O filme ficou naquele estado por uns 20 minutos, até que o motorista entendeu que os xingamentos eram realmente para ele e tentar arrumar a cagada que tinha feito. Aí foram mais uns 20 minutos até o motorista entender que botões apertar para trocar o áudio, e somando com os outros primeiros 20 minutos, os passageiros só puderam assistir o final do filme, que não teria a menor graça, é claro. o segundo motorista também era um imbecil e eu continuei apreensivo. Mas o importante era que ele dirigisse bem, e não soubesse operar os complicadíssimos controles remotos dos aparelhos modernos de DVD, não é mesmo?

Mais umas horas de viagem e paramos para trocar de motorista mais uma vez. Dessa vez veio um motorista normal e parecia que tudo terminaria tranquilamente. Coloquei os fones de ouvido mais uma vez e dormi. Nesse momento eu estranhei que durante as mais de 10 horas de viagem que já havia passado ninguém tinha sentado do meu lado ainda, acho que quem quer que tenha comprado a passagem número 18 ficou com medo de sentar na poltrona quando me viu.

Um tempo depois acordei com um puta cutucão no braço. No começo achei que já tínhamos chego, porém quando abro os olhos dou de cara com um homem forte e fardado me encarando. Não, não era nenhum integrante do Village People, e sim um Policial Federal que estava lá para investigar todos os passageiros:

- Bom pessoal, todo mundo sentado, a gente só quer ver os documentos e as passagens de todo mundo.

E assim foi, cada um mostrava suas passagens e R.G. e estava liberado. Rapidamente, todos estavam livres da garra dos porcos fardados, menos eu e meus dois amigos:

- Aí, cade os documentos?
- Tá aqui ó. Carteira de Identidade e passagem.

Foi então que ele fez a famosa cara "WHAT THE FUCK? YUSANÃ?" e me olhou muito estranho.

- De onde tu é mesmo, rapaz?
- Erm, Chapecó, Santa Catarina.
- Nasceu aqui no Brasil?
- Sim, claro.
- E teus pais?
- Também.
- E como é teu nome mesmo?
- Yusanã.
- Juçanã? Você tem outro documento com foto aí?

É fácil de entender o porquê de ele ter pego no meu pé. Afinal de contas, minha barba e meu cabelo me deixam MUITO diferente da época que eu fiz a carteira de identidade:

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Antes um típico indiozinho da Amazônia, agora um nóridco wannabe escocês.

Entreguei minha carteira de estudante, minha carteira do clube de verão, meu CPF, e nada do filho da puta acreditar que eu era um cidadão normal benéfico à sociedade. Pediu para onde eu ia, por que diabos eu jogava xadrez, cadê as minhas peças e aonde eu já tinha sido campeão. Revistou minha mochila, olhou meus cds me MP3s e deu-se por vencido. Resolveu então ir para meus dois amigos que estavam sentados juntos. Pediu as mesmas coisas para os dois e quando descobriu que eram meus companheiros de xadrez, decidiu revistar as malas também.

- Que é esse pacote aqui?
- Ah, é erva...

O ônibus todo levantou-se achando que no fim das contas realmente éramos traficantes colombianos prontos para espalhar o Diabo pelo Brasil.

- ...mate.

E os passageiros fizeram uma cara de decepção porque não iriam mais ver três jovens sendo presos por porte de drogas. Ainda assim, o policial suspeitou do pacote e deu uma puta cheirada na erva-mate, para tirar as dúvidas que ainda restavam.

- OK, vocês estão limpos.

E saiu do ônibus com uma cara amarrada. Todos aliviaram-se e começaram a fazer piadas a respeito dos policiais. Nesse momento eu descobri que tínhamos a companhia de um cearense chato pra caralho incomodando todo mundo no ônibus, acho que existe alguma lei nacional que não permite que ninguém tenha uma viagem tranquila sem ser incomodado por algum nordestino cabeça-chata. Descobri também que o assento ao meu lado continuava vazio, mesmo como TODOS os outros 45 assentos ocupados, e então que eu tive certeza que se alguém deveria ter sentado do meu lado, preferiu passar o resto da viagem trancado no banheiro aguentando cheiro de mijo e merda do que ter que aguentar o cheiro do meu cabelo.

A viagem chegou ao fim depois de mais algumas horas e estávamos realmente felizes por pisar em terra firme, porém as merdas ainda não tinha chego ao fim. Fomos até o bagageiro e qual não foi nossa surpresa ao descobrirmos que Leonardo havia perdido o ticket de identificação para pegar suas malas. Ele foi obrigado então a usar toda sua sagacidade para seguir com suas roupas:

- Cara, é sério. É essa mala azul aí. É, essa bem grande e tal.
- Hmmm, me diz alguma coisa que tem na mala então.
- Ahhhhhhhhhh, só! Teeeem........ ROUPA!

No melhor estilo Chaves. Só faltou entrar os comerciais. E falou na maior cara de pau ainda por cima. Até as tias da limpeza que passavam por lá na hora da pérola sentiram pena da resposta do coitado. O motorista ficou com uma cara de desprezo tão grande que até largou a mala no chão para chorar. Eu e meu amigos rimos tanto que chegou a brotar mijo nas nossas cuecas.
Nosso recém-conhecido e temporário técnico de xadrez ficou com tanta vergonha que pegou nossas malas e fugiu correndo para o carro.

Começava então a segunda viagem... (Próximo post, seu imbecil.)

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