Sala de Espera

  • Atomic Garden
    Idade: 19
    Lugar: Voltou a Chapecó, SC.
    Condição: Nenhum dos meus já 4 psiquiatras passados sabe dizer, mas eu estou com depressão real e profunda, e estou postando neste blog os vômitos dela.
  • Lipedal
    Idade: 19
    Lugar: Santo Ângelo, RS, no meio da roça missioneira.
    Condição: Demofobia e Nerdice Aguda. Foi ao Mundo Real duas vezes, durante as quais ganhou uns graus de miopia devido à exposição ao sol.
  • Vexille
    Idade: 20
    Lugar: Recife, PE. É o único do consultório que mora numa cidade de verdade.
    Condição: Psicose e Esquizofrenia. Obsessão compulsiva por filmes clássicos de terror brutal e trash em geral.

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Destino

Por Atomic_Garden || 01:56:00 || 04/11/2008
Tinha escrito o poema mais lindo,
Que jamais conseguirei lembrar,
num guardanapo de papel,
destes, de mesa de bar.

Aí um velho amigo gordo usou-o para
secar a gordura de um pastel de queijo.

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Preparativos

Por Atomic_Garden || 01:53:00 ||
Preparei a minha segunda:
Um pão com nutela quente
Um filme na tela quente
E um sofá pra minha bunda

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Soneto da Serra

Por Atomic_Garden || 01:46:00 ||
A noite de lua cheia
Rebentou-se lá na serra
Trazendo um misto de paz
Trazendo um misto de guerra

Lobos e bichos-do-mato
à espreita todos ficaram
até do felino gato
o ar de serenidade tiraram

E naquela noite clara
Todo mundo se serviou
O bichano com sua garra

A montanha com seu rio
O caçador com sua amarra
E o poeta com seu brio

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Desilusão

Por Atomic_Garden || 01:38:00 ||
Deixei de viver a vida em versos
para viver na ilusão.

Pois a poesia é que é a verdade
a realidade não.

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Cabelos Brancos

Por Atomic_Garden || 01:33:00 ||
As coisas todas se passam
Sem que tudo realmente aconteça.

E enquanto isto, uma velhinha vai varrendo o tempo
por cima de nossas cabeças.

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Verdade

Por Atomic_Garden || 01:27:00 ||
Sou falso. Descobri que posso ser poeta.
Sou falso. Descobri que sei fingir.

Pois toda a vez em que escrevo,
um eu que nunca me atrevo,
começa-me a surgir.

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Efêmero Permanente

Por Atomic_Garden || 01:20:00 ||
Arre, quero tudo pra ontem,
e agora é sempre tarde
e o depois é um infinito

Arre, que as coisas que quero
e as coisas que preciso
não são coisas a serem feitas
quando vos der nas telhas

Arre, que se não me fizerem o que quero agora
me jogo das Cataratas do Iguaçu.

Mas também não me jogo porque teria que ir até lá e isso seria depois e eu quero tudo agora.

Eu quero morrer agora, mais rápido que um dedo num gatilho ou um giro num pistão.

Eu quero tudo para agora
Quero ficar quero ir embora

No mesmo minuto
Na mesma hora

No pôr-do-sol
E na aurora

Tudo agora, tudo então.

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Liberdade, liberdade, tu cagou em mim, desgraçada

Por Atomic_Garden || 01:08:00 ||
Sou livre como meu verso
Livre como o universo
Que contraindo ou expandindo
Que porra de diferença faz?

Sou livre como uma página em branco
Voando e caindo
descendo e subindo pelos vendavais

Sou livre como uma TV a cabo
que tem milhares de assuntos
mas que nunca se decide por qual dos canais

Sou livre como todo ônibus que pára em toda esquina à procura de uma Maria da Glória.

Sou livre como um coração.

Sou livre como uma derrota.

Sou livre como aeroportos que mesmo parecendo tortos recebem milhares de aviões.

Sou livre como uma antena que sintoniza milhares de estações.

Sou livre como a liberdade,
que anda por aí a colher maçãs.

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Amor Livre

Por Atomic_Garden || 01:02:00 ||
Perdi a visão de amor doente
em que todo amor ardente
só ardia com a dor

Hoje sei que o amor é livre
que em todos ele vive
e com o mesmo fervor

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Poema escrito no escuro

Por Atomic_Garden || 00:57:00 ||
Doze ovos de tamanhos diferentes
surgiram do lado da minha cama

...

E enquanto isto, no Rio de Janeiro
uma pomba caga numa caixa d'água sem tampa

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Plenitude

Por Atomic_Garden || 00:54:00 ||
Pleno êxtase
Felicidade total
Batimentos cardíacos a mil

Não me importa ser um vil
um reles mortal
pois estou feliz, puta que pariu

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Devaneios Dadaístas (ou) Enganei os Dadaístas

Por Atomic_Garden || 00:50:00 ||
TV
Coberta
Armário
Janela
Fio Condutor

Enganos
Frios
Pertences
A um mundo
Cheio de amor

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Antiga Carta Guardada nos Arquivos do Gmail

Por Atomic_Garden || 00:05:00 ||
Oi, meu amor. Eu sinto uma necessidade absurda de falar contigo, de ouvir tua respiração, de te sentir de algum jeito, de te ter comigo de novo.

Eu tinha certeza que nunca mais ia precisar ficar nesse estado, que eu nunca mais ia tentar me encontrar em livros, em músicas, em contos, em atos, em gritos, em desesperos.

Eu tinha certeza que tinha me encontrado em ti.

Eu tinha certeza de tudo.
Hoje não tenho certeza de nada.

E não ter certezas dói. Dói lá dentro.

Eu não tenho certezas nem do que escrevo, nem pra quem escrevo e nem por que escrevo. Escrevo como quem precisa esvaziar-se, como quem precisa descarregar uma
carga que não deveria estar carregando.
Escrevo como se eu já não coubesse mais em mim mesmo.

Eu acho que nunca coube, mas quando te encontrei, eu era leve, eu tinha certeza que tinha escoado para

dentro de ti naturalmente, e que tudo que vinha para mim de ti não me pesava como uma carga, me elevava como um vento.
Como se tua mão, mesmo longe, estivesse sempre me segurando. Tudo teu era uma dádiva.

Eu te amei, coisinha. Eu te amei pra sempre. Eu te amei pra todas as noites e madrugadas da minha vida. O que eu senti por ti me transformou para sempre.
O que eu vivi ao teu lado foi o suficiente para toda uma vida. Para mais de uma, quiçá um punhado delas. Na verdade, o que eu vivi ao teu lado foi mais vida do que todas as vidas que eu já julguei conhecer.

A minha vida foi a tua mão na minha. A minha vida foi nossos corpos nus escondidos sob um lençol atrás da cama.

A minha vida foi tudo que eu senti e quis fazer você sentir. Toda essa merda de agora é um epílogo que não deveria estar sendo escrito.
Todo esse epílogo não faz diferença pra maldita tragédia que passou.

Todo esse post-scriptum é uma agonia de um artista que não quer terminar sua obra por puro desespero. Que quer estendê-la o máximo possível, mesmo sabendo que ela já esta pronta.

Eu vivi para o nosso amor. Você sabe que isso é verdade. Você sabe que a minha vida inteira eu esperei por ti, você sabe como foi difícil eu aceitar que finalmente você tinha aparecido, eu finalmente aceitar que minha vida estava começando e deixar todos os medos pra trás. Mas eu deixei, e escrevemos uma história do caralho, coisinha. Talvez pra ti não tenha passado de prólogo, ou até uma epígrafe para tua verdadeira história, mas você sabe que nunca seria isso pra mim.

E lembrar da gente dói, dói como quem lembra da infância. Dói como um misto de ignorância e impotência. Dói como quem lembra da vida depois que já morreu, se isso for possível. Mas afinal, não é isso que eu estou fazendo?

Meu deus, como eu sinto sua falta, estou sempre esperando que minhas lágrimas venham a cair no teu colo, mas elas nunca te encontram. Elas rolam sempre sozinhas como eu. Meu deus, meu deus, que absurdo é sentir. Que absurdo é lembrar. Que é absurdo é querer, meu deus. Que absurdo é querer ser entendido!

Meu deus, meu deus. Que absurdo é te escrever!

E o absurdo também dói, coisinha. Sentir o absurdo faz a gente chorar. E eu sei que sentir o absurdo não faz sentido, mas me desculpa por não fazer sentido, só acredita que tudo que te escrevo, mesmo absurdo, é sincero de um jeito ou de outro. E o absurdo é tudo ter acabado, mesmo tudo acabando um dia.
Desculpa continuar mandando esses e-mails, eu não sei te explicar o que sinto.
Não sei exatamente o que dizer,
não sei se você lê essas coisas que eu escrevo, não sei como você as recebe,
mas eu sinto uma vontade absurda de
te escrever mesmo assim.
Me desculpa de qualquer jeito.

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Soneto de um estúpido

Por Atomic_Garden || 23:46:00 || 03/11/2008
De raio fulgor a dor se ausenta
De tempestade viril a dor se volta
E meu peito em dois se rebenta
E a fúria em mim se revolta

Por meses felizes estive contigo
Mas hoje já não vivo em paz
Pareceram-me meses de castigo
A mostrar-me que feliz não serei mais

Fiei-me em teus sorrisos de doçura e em teus seios de paixão
Mas longe de ti sobrou-me a loucura
e espinhos no coração

Vem ter comigo novamente, vem ter comigo novamente
Só assim estaremos felizes
Só assim dormiremos contentes

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Quadrilhas

Por Atomic_Garden || 22:57:00 ||
I.

Que tristeza! Que agonia!
Morreu o Seu João da padaria!
E agora? Quem fará os poeminhas doces
do jeitinho que ele fazia?

II.

Lembro-me bem quando fostes embora
Ai, melhor que não tivesse ido
Pois daquele instante até agora
Meu pobre coração só tem sofrido!

III.

Voaste bem longe
Mais longe que o coração alcança
E cá fiquei eu:
Um brinquedo sem criança

IV.

Perdi o amor pelo mundo
Mas não foi sem ter razão
Se hoje sou vagabundo
Foi por perder teu coração

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Soneto para uma fotografia nunca tirada

Por Atomic_Garden || 22:55:00 ||
Tirei-te de súbito vislumbramento
Dum objeto que em si parecia vão
Mas transformei-te num monumento
Numa obra d'arte da visão

Era um ser, completamente são
De forma alguma virulento
Mas que infestou meu coração
Naquele exato momento

É o retrato de um lamento
Que transbordando emoção
Chega até a ser violento

Mas tem alma, corpo e pulmão
Aspira, inspira movimento
E parece ter pulsação

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Infinito

Por Atomic_Garden || 22:54:00 ||
Heia, Maria da Glória que vai
sentada à beira da estrada da vida
(Não sei teu verdadeiro nome, mas és Gloriosa
e Maria como todas as outras)

Diga-me, "quem estás a esperar?"
Teu amado partiu há algum tempo com promessa de regresso?
Ou é o regresso de alguém nunca partido mas que teu pobre coração prometeu-te que viria?

Ai, Gloriazinha, que pensamento terrível!
Por acaso é a mim que esperas?
Não me entregue este fardo terrível, Gloriazinha!
Não sou digno da espera de ninguém
Nem sou ninguém digno de espera

Vira para lá este rosto curioso e volta a cuidar da tua vida, Gloriazinha!

Deixa-me passar por aqui sem ter passado.

Olhas para o horizonte por alguns instantes
e espera eu chegar bem longe, Gloriazinha,
aí tu podes voltar a me esperar.

(Caso um dia eu chegasse, Gloriazinha, perderíamos o sentido de sermos.
Deixemos assim, me esperas pra sempre, que eu te procuro nas próximas estradas)

Mas enquanto eu passar, Gloriazinha, finges que que não me ve, me finges um passarinho fugidio de que logo esquecerás.

....



Ai, Gloriazinha, só aí, sentada à beira
é que te posso chamar minha!

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Seguro

Por Atomic_Garden || 22:52:00 ||
Creio que te vi
Ao longe
A passar na neblina

Vi teus lindos
Cabelos lisos
E teu corpo de menina

Vi também o teu seio coberto
e o teu olhar a me procurar
Mas antes que eu me pusesse
já muito longe andava a estar

Não creio em fantasmas, bem o sabes
Mas sei que ali era tua alma
que deste uma escapada durante teu sono
à procura de um pouco de calma

E eu estarei aqui à espera tua
por todos os dias, amor meu
que por mais longes que estejas de mim
terás sempre um porto que é só teu

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Vento

Por Atomic_Garden || 22:51:00 ||
Escrevi-te um poema banal
Falando do amor e de coisas assim
(O amor não é sempre banal?
Pergunto a mim)

Mas por fim, acabei por queimá-lo,
pois sei que assim
com as cinzas a te chegarem com as mensagens,
será mais belo do que mandado por mim.

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