Heia, Maria da Glória que vai
sentada à beira da estrada da vida
(Não sei teu verdadeiro nome, mas és Gloriosa
e Maria como todas as outras)
Diga-me, "quem estás a esperar?"
Teu amado partiu há algum tempo com promessa de regresso?
Ou é o regresso de alguém nunca partido mas que teu pobre coração prometeu-te que viria?
Ai, Gloriazinha, que pensamento terrível!
Por acaso é a mim que esperas?
Não me entregue este fardo terrível, Gloriazinha!
Não sou digno da espera de ninguém
Nem sou ninguém digno de espera
Vira para lá este rosto curioso e volta a cuidar da tua vida, Gloriazinha!
Deixa-me passar por aqui sem ter passado.
Olhas para o horizonte por alguns instantes
e espera eu chegar bem longe, Gloriazinha,
aí tu podes voltar a me esperar.
(Caso um dia eu chegasse, Gloriazinha, perderíamos o sentido de sermos.
Deixemos assim, me esperas pra sempre, que eu te procuro nas próximas estradas)
Mas enquanto eu passar, Gloriazinha, finges que que não me ve, me finges um passarinho fugidio de que logo esquecerás.
....
Ai, Gloriazinha, só aí, sentada à beira
é que te posso chamar minha!
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